bandeja ESD preta de parede alta com quatro canaletas e uma placa eletrônica em pé, sobre fundo azul-marinho

Resumo

  • O antiestático de superfície é aplicado como um verniz, tem prazo de validade e atende bem bandejas descartáveis ou de ciclo curto.
  • O antiestático na massa é incorporado ao material e mantém a proteção por anos, o chamado efeito permanente.
  • Nenhuma das duas é melhor que a outra. A escolha depende da vida útil da bandeja.
  • Lavagem, atrito e ar seco reduzem a proteção, por isso a bandeja retornável precisa de verificação periódica.

Depende de quanto tempo a bandeja precisa proteger. Na embalagem antiestática de superfície, a proteção é aplicada como um verniz, tem prazo de validade e atende bem bandejas descartáveis ou de ciclo curto. No antiestático na massa, o aditivo é incorporado ao material e mantém a proteção por anos, o chamado efeito permanente. Esse tratamento acompanha bandejas com vida útil de três a cinco anos. A pergunta que decide é quanto tempo a bandeja vai circular.

Qual a diferença entre o antiestático de superfície e o antiestático na massa?

Os dois tratamentos têm o mesmo objetivo: evitar que a bandeja acumule carga e provoque uma descarga eletrostática (ESD) no componente. O que muda é onde a proteção está. O antiestático de superfície é uma camada aplicada sobre a bandeja, como um verniz. O antiestático na massa é um aditivo incorporado ao próprio material.

Na massa, o aditivo migra aos poucos para a superfície e renova a camada que protege. Por isso a proteção dura mais, o que se chama de efeito permanente, embora a reserva de aditivo diminua com os anos. Em geral, os dois tratamentos funcionam atraindo uma película fina de umidade do ar, que permite que a carga se espalhe e saia da bandeja.

A bandeja condutiva, com carbono na massa, é outro caso. Nela, o próprio material conduz a carga, sem depender da migração de um aditivo. Essa é uma decisão de classe, tratada no artigo condutivo ou dissipativo. As duas decisões fazem parte do guia de especificação pelo ciclo de vida.

Por que a proteção pode acabar antes da bandeja?

Uma bandeja retornável bem dimensionada pode continuar inteira, sem trincas e com o encaixe correto, depois que a proteção antiestática já saiu da faixa especificada. Visualmente, nada muda. O operador continua usando a bandeja e o componente perde a proteção sem que a linha perceba.

Isso acontece quando a vida da proteção não foi casada com a vida da bandeja. Um caso típico é especificar antiestático de superfície, que tem prazo de validade, para uma bandeja de logística interna que vai circular entre setores por anos. Alguns fatores do dia a dia também aceleram a perda da proteção.

  • Lavagem frequente, principalmente com detergentes ou solventes, que removem a camada superficial.
  • Atrito no manuseio, no empilhamento e no deslizamento das peças nas cavidades.
  • Ar seco, que reduz a umidade de que o antiestático depende para funcionar.
  • Temperatura alta na armazenagem ou no processo, que pode acelerar o esgotamento do aditivo.
  • Tempo de estoque antes do uso, no caso do antiestático de superfície, cujo prazo em geral corre mesmo com a bandeja parada.

Como casar a vida da proteção com o ciclo da bandeja?

O ponto de partida é o ciclo de vida da bandeja. Se a bandeja faz uma única viagem e termina na montagem do cliente, o antiestático de superfície atende bem e mantém o custo adequado ao uso. O mesmo vale para bandejas de poucas viagens, desde que o uso termine dentro do prazo de validade da proteção.

Se a bandeja é retornável e vai circular por anos, dentro da fábrica ou entre fornecedor e cliente, o antiestático na massa acompanha esse ciclo. Ele é indicado para bandejas com vida útil de três a cinco anos. Para esse uso, veja também as bandejas retornáveis e o artigo sobre bandeja descartável ou retornável.

Há aplicações em que o componente exige proteção estável, que não varie com a umidade nem com a lavagem. Nesses casos, a engenharia pode indicar um material com a classe definida na própria massa, como o condutivo. Em resumo, a correspondência costuma ser esta.

  • Uso único ou poucas viagens: antiestático de superfície.
  • Retornável com vida útil de três a cinco anos: antiestático na massa.
  • Proteção que não pode variar com umidade ou lavagem: avaliar a classe do material com a engenharia.

Como conferir se a bandeja ainda protege?

Em bandejas retornáveis, a proteção deve ser conferida ao longo do uso, e não só no recebimento. Uma amostragem periódica, com medição de resistência de superfície em pontos definidos da bandeja, mostra se o lote continua dentro da faixa especificada. Programas de controle ESD baseados na IEC 61340-5-1 ou na ANSI/ESD S20.20 costumam prever esse tipo de verificação.

Registre a umidade e a temperatura do ambiente em cada medição, porque elas influenciam a leitura. Bandejas fora da faixa saem de circulação nas áreas com componentes sensíveis. Quando o seu procedimento permitir, elas podem continuar em aplicações que não exigem proteção ESD.

O que perguntar ao fornecedor sobre o prazo da proteção?

Antes de aprovar a especificação, vale ter por escrito como a proteção foi pensada para o seu ciclo de uso. Estas perguntas ajudam na conversa com o fornecedor.

  • A proteção é de superfície ou na massa, e por quê?
  • Qual é o prazo de validade da proteção de superfície, e a partir de quando ele conta?
  • Como a lavagem usada na nossa linha afeta a proteção?
  • Qual faixa de resistência consta na ficha técnica, e com qual método ela foi medida?
  • A classe do material atende à exigência do nosso cliente?

Para a engenharia indicar o tratamento adequado, informe quantos anos a bandeja precisa circular, como ela é lavada e em que ambiente trabalha. Envie esses dados com a peça pelo formulário de cotação e veja as demais decisões no guia da bandeja funcional.

Os tratamentos antiestáticos costumam depender da umidade do ar. Em ambientes secos, a resistência de superfície tende a subir. Por isso, toda medição de conferência deve registrar a umidade e a temperatura do ambiente.

Perguntas frequentes

Em geral, de seis meses a dois anos, conforme o manuseio. O prazo de validade de cada material, que também depende da armazenagem, é informado na especificação. Como a duração é limitada, ele atende bem bandejas descartáveis ou de ciclo curto. Para bandejas que vão circular por anos, o antiestático na massa costuma acompanhar melhor o ciclo.

Sim. A lavagem tende a remover o antiestático de superfície e reduz a proteção a cada ciclo. No antiestático na massa, o aditivo volta a migrar para a superfície depois da lavagem, mas a reserva diminui ao longo dos anos. Se a bandeja for lavada com frequência, informe o processo de limpeza na especificação.

A proteção dura anos, e por isso se fala em efeito permanente. O aditivo incorporado ao material migra aos poucos para a superfície e mantém a bandeja protegida. Como a reserva diminui com o tempo, com a lavagem e com o atrito, esse tratamento é indicado para bandejas com vida útil de três a cinco anos, com verificação periódica da resistência.

Autor técnicoAmilcar LuchesiDiretor técnico